segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Caminho para um fim
Olhei dentro dos seus olhos e clamei, verdade. Não faça parte de mim da maneira que outros fizeram, de um íntimo que alimenta o que sou de ruim; acrescente o pouco que ainda deseja o céu, seja um tijolo, seja uma liga, não corroa mais a aquilo que já não se surpreende. Toquei suas mãos, sinta. Mude o caminho das coisas, sem que para isso necessite de mim como passo, ou fase para alcançar qualquer que seja seu objetivo. O desejo de esquecimento deve acabar aqui, não quero mais ter medo das minhas lembranças, me esconder em algo que me traga tranqüilidade: quero paz, aqui e agora, sem entendimento. Beijei sua boca, compreenda. Não quero fugir dos seus anseios, quero tê-los também. Divida-os comigo, alimenta-me, pois estou sedenta do que seja seu, meu, tudo, agora. Será que é tão inatingível assim o amor? Devo-me contentar com as migalhas de uma caridade.
Naquela noite em claro, ouvi a mais bela verdade, percorri o caminho para a paz, pensei. Agradeci, pois ouviste a minha súplica, ali, olhando nos meus olhos, vendo o que se encontra dentro deles. Fechei-os por um minuto, o escuro do meu íntimo me convidou para a eternidade. Nesse momento, fui e voltei do paraíso com um sentimento de realização: finalmente.
Adeus.
Nunca mais o encontrei.
...
Sou o que sou, fruto de inúmeras lembranças, que talvez devêssemos nunca ter lembrado. Apenas sou o que encontrei de uma busca, no meu íntimo. Impressiono-me, ainda.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Espelho Oposto
domingo, 13 de abril de 2008
Dilema do Ser
Quando nasci, decidi que não queria ser. Queria apenas viver assim: como quem não é nada. Fui desse jeito, crescendo de uma maneira diferente dos outros, sempre atenta à minha escolha que sempre parecera incomum, mas não sabia explicar o porquê, apenas via nitidamente dentro e fora, o tempo todo, como um dom: as pessoas se prendiam em ser e o viver passava despercebido. Sentia-me confusa com freqüência quando pequena, pois eu sempre pensei diferente dos outros, agi de forma incomum e principalmente entreguei, desejei, amei, decepcionei, odiei, muito mais intensamente que qualquer pessoa que tenha conhecido. Sem entender o porquê de não querer entender nada me deitava e observava as coisas que para todos eram como eram para mim: sem explicação. Observava assim, o céu, as estrelas, o relógio, o vento, as cores das coisas, o jeito das pessoas, o movimento dos carros, as pedras, o chão, as casas e nada disso ou daquilo faziam sentido para mim, mas pelo menos sentia que não fazia para mais ninguém e ficava calma por um momento. Até que me confundia de novo. Quando guardava os meus pensamentos dentro de mim e resolvia sair para brincar, ouvia-os conversarem sobre as coisas que eu dedicava meu tempo pensado, mas nenhum deles parecia ter fascínio por nada, como se nada daquilo fosse importante, não tivessem valor. Citavam-nas sempre, mas apenas nas lacunas entre as palavras. Duravam menos que pequenos segundos de um instante, em que eu cuidadosamente fazia questão de estar atenta para absolvê-las. “Fui até a lanchonete hoje e encontrei fulaninho por lá”. Vento, pedra, céu, tempo, cores, jeito: nada foi mencionado por ninguém explicitamente, mas eu absolvi-as todas, sempre. Passei a sentir, mais uma vez, que eu não era como os outros. Eu vivia tanto que me apegava as coisas e as guardava dentro de mim, como se fossem minhas e, portanto, tornava-as especiais. Fui amadurecendo e deixando a maioria das minhas dúvidas de lado. Continuei vivendo daquele meu jeito assim de quem não é nada e cheguei à puberdade. Acredito que agora, mais do que antes notava com clareza a minha disparidade com os outros. Possuía vários amigos, pois de tanto odiá-los, amava-os e de tanto amá-los os odiava às vezes. Alguns diziam que me amavam em troca, outros estavam longe de me amar, e não faziam questão do contrário, mas todos me respeitavam e isso parecia ser o suficiente. Outros me achavam estranha por amar tanto assim. Acontece que nenhum sabia a verdade sobre mim, pois eu mesma ainda não havia descoberto: meus sentimentos sempre foram verdadeiros, mas nem sempre bons. Mesmo amando tanto e tão fielmente, nunca pude afetar ou descobrir como os outros pensam, ou agem, e dessa maneira decepcionava-me. Tanto por esperar demais dos que amava (espelhava-me em mim mesma) como por, por não ter Sido, não ter tido a malícia de viver. Dessa maneira chorava, como se meus sentimentos por melhores que fossem não servissem de nada. Não me protegeram do sofrimento, da decepção, da angústia, do remorso. Eu não fui o suficientemente sábia para entender que meus sentimentos também me fariam sofrer. Sem nunca entender o porquê das coisas, nunca conseguira desenvolver a capacidade de selecionar onde emocionalmente me envolveria e me via uma tola sentimental e ingênua. Foi quando me encontrei em um dilema onde todas as dúvidas que tinha deixado para trás voltavam mais fortes e confusas do que nunca. Será que sua opção foi tão errada a ponto de querer voltar atrás e fazer tudo de novo, sendo? Será que todas as suas decepções foram em vão? E seu amor apenas em troca de pequenas satisfações sem necessidade? Se pudesse deixar de sentir, apenas para poder se sentir menos tola, menos ingênua, menos decepcionada, deixava? Com os olhos fechados, mais uma vez fazia o que nascera fazendo, sua escolha: não era nada, tampouco tudo seria uma mera desilusão. Como sempre sem entender nada, apenas sentiu. Tranqüilidade. Afinal. A soma de todos seus medos a fez enxergar coisas que apenas amando não enxergaria nunca: viver é ser alguém que sente tudo e antes de qualquer coisa fazer com que tudo seja viver.
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
O vermelho escarlate ofuscante do relógio marca meia-noite e vinte e quatro, minha mente não me deixa em paz. Devo revelar meus sentimentos, agora, nesse quarto escuro, onde minha única bússola é a luz que sai da tela e me convida com pressa para uma verborragia insana. Fui proibida de ser. Minha primeira pessoa está censurada e a terceira, ansiosa, espera sua chegada. Ela não acontecerá. De mim, você não sabe nada. Só sabe o que eu o oriento a ver, sentir. Então, me obedeça agora e teremos uma parceria perfeita. Feche os olhos e sinta comigo, nada mais verá a não ser o que meus dedos queiram que você sinta. Deixe-me guiá-lo e não se preocupe com onde irá chegar, chegaremos juntos. A qualquer momento pare, rasgue, esqueça, estou lhe desafiando a tentar. Conhecerá por meio de mim o que é o Meu sentir, em uma sedução selvagem. Imagine. Vejo a porta entreaberta, dela sai aquele típico feixe de luz sombria. Abro-a delicadamente em minha insaciável curiosidade e escuto aquele ranger misterioso de madeira rústica. Tiro os sapatos e entro. Sinto o aroma das velas me envolver e a curiosidade que surgiu em mim ainda naquela porta, fica cada vez mais desafiada a descobrir de onde surgira tamanha exuberância. Minha cama estava de frente para a varanda, como de costume, mas o vento que violava meu quarto estava mais místico e carregado do que nunca, me convidava para algo que eu ainda não sabia dizer o que era. Alguém me seduzia e eu não queria que essa sedução acabasse, era meu vício. Com passos de veludo caminhava como quem quisesse chegar ao fundo de um mistério, descobrir um assassino, e conforme os segundos passavam minha vontade era de descobrir mais nada e sim de ser assassinada. O calor da lareira ao canto da sala, alimentava meu desejo e o frio vindo da janela me tocava como quem toca o cetim. Pisava em meu assoalho de madeira, que esta noite estava coberto com pétalas negras de rosas, cuidadosamente escolhidas para o exato segundo em que meus pés as quebrassem. Minha casa era antiga e à noite suas paredes rangiam com o vento, me confidenciando milhares de tentações. Quem estava ali me seduzindo? Quem era meu amante, meu admirador? Não sei. Só sei que agora me seduziu por completa e me teve; o amo. o admiro. Sentei na beira da cama e fechei os olhos, toquei sutilmente meu corpo cansado na tentativa de fazer com que chegasse até mim. Enlouqueceu-me. Conseguiu seu objetivo, e aqui estou, apaixonada por meu sedutor desconhecido. A tensão me toma. Solto meus cabelos, tiro meu relógio, meus brincos. Tudo parece pesar. Finalmente caio sobre a cama... Silêncio.
Escuto um som aveludado, como um sussurro... Discreto, ao fundo do quarto, de um tilintar de dedos em um isqueiro. Volto meu rosto rapidamente, na pressa que me faz querer vê-lo. E ali estava, o tempo todo, ao fundo, onde cuidadosamente planejado passei despercebida. Sentada elegantemente em uma poltrona de couro, com as pernas inclinadas em uma posição soberba, como uma baronesa toda de preto. Colar de pérolas e cabelos soltos, longos e morenos, olhos de safira maquiados e indecifráveis, parados olhando para mim. Batom rubro, em uma boca seca e indescritível. O cigarro alojado entre os dedos, como se o entrelaçasse. Ali, alojada confortavelmente em sua cadeira estava o sujeito de tudo isso: Eu. Parada e imponente, fazendo meu próprio jogo apaixonante. Estava sendo admirada e desafiada por mim mesma. Eu mandei, eu fiz, eu vivi, eu criei: Tudo.
Agora lhe pergunto, querido e fiel leitor, que receava aos meus comandos e agora chega até aqui, com um só sentimento: Desejo. Quem é o sujeito, quem é o objeto, quem é o leitor? Eu ou você?
Ah... Acredite Mon amour, nós somos os três.
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Com a pausa constante de um minuto, o grande intervalado acontece:
Quase me lembro certamente ainda por um segundo que de repente me esqueço de .
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Meu drama sempre fora tão íntimo que parecia inventado, criado a partir de dúvidas, que me consumiam. Nunca soube o que sentir, uma dor oriunda de dúvidas nada mais era do que uma dor incerta, dor inventada, sem certeza: nem sim nem não, talvez. Em que mundo me encontro então? Se não o meu próprio, onde tudo ficava fora do limite entre uma lacuna e outra. Sempre soube que se morasse nas estrelas, vivesse de sonhos, não existiria terra segura e fresca, tão pouco loucura, tudo seria lucidez: o que me prende a realidade teria sido desfeito por mim. Não gosto do mundo que criaram para mim, simplista demais, nada me acompanha. Sinto-me sempre maior do que os outros; narro onisciente e onipresente a vida tão previsível que as pessoas insistem
Minha finalidade na verdade eu desconheço, escrevo para quebrar essa antiga tradição de chegar em algum lugar. Eu chego, mas em lugar nenhum, imagino a trajetória, aplaudo as cenas e sento para beber um vinho ao final do espetáculo. A imprevisibilidade de fatos inéditos, um atrás do outro é meu ponto de chegada, no final nunca conquistado. O desafio de recriá-lo sempre que me leva. Desafio apenas você a recriá-lo assim como eu, lendo. Apenas não seja cego, enxergue além, quem te escreve aqui nunca é quem você imagina tão pouco é sua imaginação, sou apenas eu, Joana.
