Foi num sábado a tarde que descobri finalmente algo que me tranquilizasse, que me fizesse pensar e avaliar aqueles sentimentos que talvez se revelem apenas num sábado chuvoso. Durante muito tempo não encontrava algo que me fizesse quebrar as barreiras entre o que eu sinto e o que escrevo, revelando meus grandes segredos, grandes anciedades e desejos. Me encontro na parte do tempo que eu mais gosto e preciosamente encontro, quando ele congela e se entrega totalmente a mim. O que sou? O que serei? Ou principalmente, o que fui? Acredito que talvez em outra oportunidade nada disso se encaixaria em mim como agora, mas finalmente consigo enxergar sentido nas respostas que conduzem minha vida. No silêncio de uma tarde, enfim, posso querer ser o que quiser. Percorro montanhas nos meus mais íntimos sonhos, desejo chegar onde ninguém jamais esteve, quero o clichê da vida de quem ainda a vive, quero ser quem sou e nada mais. Enfim, a gélida dúvida do ser me encontra e perturba a minha ingenuidade vespertina. Porque não a tranquilidade da verdade, porque não viver sem matéria, sem o risco da dolorosa inquietude que o pensamento nos traz. Quero ser quem sou: alma instável, cheia de vicissitudes, ausente de caráter, incoerente. Acontece que sou nada.
sábado, 4 de abril de 2009
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