A porta então se fechou, completamente. E não há o que crie feixe de luz. Aguardo silenciosa, tímida, que alguém me socorra. Como pode ser tão distante a minha realidade da dele. Desligo a luz. De repente o escuro me parece mais cômodo: já que não posso vê-lo, não vejo mais nada. No meu calabouço sou guardada por mim mesma. Quando penso em sair, meus sonhos me repreendem: não existe fuga para os seus anseios mais íntimos. Tento empurrar a porta, bato com força, inutilmente. Mais uma vez, nada. Com frequência acreditamos ser mais fortes do que nós mesmos. E o cômodo se preenche de incertos. Então noto uma janelinha ao fundo, até então desconhecida. Vou até ela, permitir o ar. Me deleito na brisa que viola o cômodo... logo me visitam as noites perdidas com tantas discussões em vão. Fecho os olhos e me deito. Mais uma vez os guardas da minha prisão me censuram. Sou presenteada com um sono profundo por bom comportamento. O beijo, o abraço, o sorriso, a felicidade. Noto que minha prisão é confortável, existem cárceres piores. Levanto, bato na porta com força, nada. Escuto uma música ao fundo, se aproximando, cada vez mais marcada. Coração. Me refresco esporadicamente com a dor. Exausta da minha própria companhia, meu cárcere começa a me desfalecer. Finalmente clamo: socorro, socorro. Rapidamente batem na porta.
"Você está bem?"
"Sim, feche a porta."
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
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