Eis que um dia, descobre-se que tudo nada mais é que uma prisão particular. Nossa própria, limpa e histérica. Por dentro, gritamos batendo nos portões de ferro maciço, procurando quem nos entregará as chaves para a nossa essência. Nada mais é claro, apagaram as luzes. Cavando cada vez mais fundo pelo medo do que encontraremos lá fora, depois de tantos desafetos. Com a terra nossas suas unhas, cavamos mais e mais. Não sabemos ainda se queremos escondê-la dos outros ou de nós mesmos, como um tesouro sem mapa e sem rastro. Quanto mais profundo, mais sangram-nos as unhas, cansadas, mas movidas pela ânsia de não regressar: jamais... Até que ao fundo, exaustos, encontramos as chaves, como se tivéssemos cavado, cavado e cavado, exaustivamente, para que ao fim pudéssemos encontrá-las. Aquelas, que sequer premeditávamos ver, que por medo não queríamos ter, aquelas que lhe dariam a chance de reencontrar a nós mesmos. Ali, no fundo do poço de nossa prisão particular, com as unhas sangrando, no túnel para o esconderijo sem volta, no fim.
Dentro daquele túnel, frio e sem esperança, estava o tempo todo a chave que tanto procurávamos. As colocamos no bolso e continuamos a cavar.

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