Meu drama sempre fora tão íntimo que parecia inventado, criado a partir de dúvidas, que me consumiam. Nunca soube o que sentir, uma dor oriunda de dúvidas nada mais era do que uma dor incerta, dor inventada, sem certeza: nem sim nem não, talvez. Em que mundo me encontro então? Se não o meu próprio, onde tudo ficava fora do limite entre uma lacuna e outra. Sempre soube que se morasse nas estrelas, vivesse de sonhos, não existiria terra segura e fresca, tão pouco loucura, tudo seria lucidez: o que me prende a realidade teria sido desfeito por mim. Não gosto do mundo que criaram para mim, simplista demais, nada me acompanha. Sinto-me sempre maior do que os outros; narro onisciente e onipresente a vida tão previsível que as pessoas insistem
Minha finalidade na verdade eu desconheço, escrevo para quebrar essa antiga tradição de chegar em algum lugar. Eu chego, mas em lugar nenhum, imagino a trajetória, aplaudo as cenas e sento para beber um vinho ao final do espetáculo. A imprevisibilidade de fatos inéditos, um atrás do outro é meu ponto de chegada, no final nunca conquistado. O desafio de recriá-lo sempre que me leva. Desafio apenas você a recriá-lo assim como eu, lendo. Apenas não seja cego, enxergue além, quem te escreve aqui nunca é quem você imagina tão pouco é sua imaginação, sou apenas eu, Joana.

Um comentário:
E já era hora de você fazer um blog, né?! Fica aí, se escondendo do mundo literário...
Mais blasé impossível essa estréia. Cara de Mme, não de Joana. :)
:**
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