sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Crio um blog, mas não como todos que procuram uma identificação diária com a escrita ou algum tipo de descarga para seus pensamentos. Não que eu ache errado ou julgue quem o faz, simplesmente não o faço. Começo dizendo um pouco de mim e depois explico a finalidade do mesmo, afinal a de haver uma.
Meu drama sempre fora tão íntimo que parecia inventado, criado a partir de dúvidas, que me consumiam. Nunca soube o que sentir, uma dor oriunda de dúvidas nada mais era do que uma dor incerta, dor inventada, sem certeza: nem sim nem não, talvez. Em que mundo me encontro então? Se não o meu próprio, onde tudo ficava fora do limite entre uma lacuna e outra. Sempre soube que se morasse nas estrelas, vivesse de sonhos, não existiria terra segura e fresca, tão pouco loucura, tudo seria lucidez: o que me prende a realidade teria sido desfeito por mim. Não gosto do mundo que criaram para mim, simplista demais, nada me acompanha. Sinto-me sempre maior do que os outros; narro onisciente e onipresente a vida tão previsível que as pessoas insistem em viver. Sempre alcancei os topos, tive os melhores, fui mais forte e mais sábia, me mantive sempre segura do mundo: não vivo nele, finjo que sim. Ninguém me atinge nada me conquista sempre me mantive elegantemente distante. Misteriosa com certo limite, sempre deixei clara minha decepção com a realidade. Atuo na sua magnitude de poder: quando rio, não é felicidade pura e simples, é charme em forma de felicidade, todos se apaixonariam por meu sorriso. Em um pequeno minuto me torno triste. Dissimulação. Enceno a agonia, gosto do gosto amargo da mentira. Sempre verdadeira, embora duvidem do contrário. Minha verdade somente se encontra longe, para que poucos, quase nulos, conseguissem chegar até ela.
Minha finalidade na verdade eu desconheço, escrevo para quebrar essa antiga tradição de chegar em algum lugar. Eu chego, mas em lugar nenhum, imagino a trajetória, aplaudo as cenas e sento para beber um vinho ao final do espetáculo. A imprevisibilidade de fatos inéditos, um atrás do outro é meu ponto de chegada, no final nunca conquistado. O desafio de recriá-lo sempre que me leva. Desafio apenas você a recriá-lo assim como eu, lendo. Apenas não seja cego, enxergue além, quem te escreve aqui nunca é quem você imagina tão pouco é sua imaginação, sou apenas eu, Joana.

Um comentário:

Dominique Lee disse...

E já era hora de você fazer um blog, né?! Fica aí, se escondendo do mundo literário...
Mais blasé impossível essa estréia. Cara de Mme, não de Joana. :)

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