quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Minha confusão se abrange e toma novas proporções, maiores, enormes. Dúvido da minha capacidade, que tipo de poeta eu sou afinal, que não escrevo sobre a vida, bela, encantada? Sou um não-poeta, não escrevo poesia, desfaço-a. Descubro sabores novos, morte inusitava e simples: é ou não é. É um não e sim constante, maniqueísmo intrínseco das coisas, que apenas eu vejo. Louca, não louca, quase. A grande lacuna de um quase, que chega próximo de um sim distante de uma certeza, perto de um não de repente tão certo como um ainda. Me refugio por trás dessas lacunas, fujo do certo e imponente, sou feita de pó. Evito toques longínquos, aproximação que torna parte de mim humana, me transporto pelo vento. Procuro meu móvel egoísta, que só existe e nada mais. Me tornar parte dele e ele de mim, ser espectadora fiel de tudo e de todos reservando espaço para petálas de perdão. Envelheço e permaneço intocada, sólida e perfeita. Carregada de vida dos outros, nunca a minha. Caduca, volto em si. Me reintero escultura, pó não-pó, solitária. Eternizada e inconstante, num sopro vou e levo comigo memória-de-areia.
Com a pausa constante de um minuto, o grande intervalado acontece:
Quase me lembro certamente ainda por um segundo que de repente me esqueço de .

Um comentário:

Anônimo disse...

Grande talento o seu para com as palavras. Não esconda-o em cadernos trancafiados nas suas gavetas.